Casos de incêndios em vegetação dobram nos dois primeiros meses do ano na Bahia

O número de incêndios em regiões de vegetação praticamente dobrou nos dois primeiros meses do ano na Bahia, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o Corpo de Bombeiros, entre janeiro e fevereiro deste ano, foram registrados 1.058 casos em todo estado, sendo 588 no interior e 470 na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Já no mesmo período de 2018 foram 578 casos.

Para o diretor de Políticas de Biodiversidade e Florestas da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Murilo Figueiredo, o aumento dos casos é favorecido pela maior quantidade de biomassa e combustíveis e uso descontrolado do fogo para a realização de queimadas pela população. “Todas essas questões favorecem a incidência dos incêndios e são agravadas pela questão climática e escassez de chuva”, afirma.

As cidades do interior do estado foram as mais acometidas pelos incêndios em vegetação no mês de fevereiro com 438 ocorrências. Enquanto na Região Metropolitana foram 124 registros. Segundo o diretor da Sema, as cidades mais atingidas estão localizadas no sul, extremo sul, baixo sul e na região da Chapada Diamantina.

Um dos últimos incêndios de grande proporção foi o que atingiu o Parque Nacional do Monte Pascoal, em Porto Seguro, na Costa do Descobrimento. O fogo, que começou no último dia 1º, tinha sido controlado, porém novos focos voltaram a aparecer na terça-feira (19). As chamas já destruíram uma área equivalente a 1.501 campos de futebol, o que corresponde a 5% do parque.

No sul, três focos de incêndio foram registrados em Canavieiras, Eunápolis e Uruçuca na segunda-feira (18).

O tenente Álvaro Serrão, do Corpo de Bombeiros Militares do Estado da Bahia (CBMBA), apontou que mais de 90% dos incêndios são causados pela ação do homem, por meio da queima de lixo e pastagem e até do descarte das bitucas de cigarro nas rodovias próximas às vegetações. “O fogo usado de forma incorreta pode perder o controle e causar o incêndio que pode atingir grandes áreas”, explica.

As queimadas podem causar inúmeros prejuízos ao meio ambiente e à população. “A gente perde muitas espécies de plantas e animais, o solo fica comprometido e a fumaça gera vários danos ao sistema respiratório da população”, pontua o tenente.

CONSCIENTIZAR A POPULAÇÃO

Em decorrência da grande influência da ação humana nos incêndios, a Secretaria do Meio Ambiente em conjunto com o Corpo de Bombeiros e o Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) apostam em medidas para conscientização da população através de palestras e campanhas, principalmente nas cidades do interior, onde o número de casos é mais elevado.

Uma das iniciativas é o programa “Bahia sem Fogo”, que foi criado em 2010. O programa é coordenado pela Sema, que integra e coordena o Comitê Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais da Bahia (instituído pelo Decreto nº 11.559, de 1º de junho de 2009), formado por representantes de secretarias estaduais, instituições municipais e federais.

Para o geógrafo e professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), Ricardo Reis, a conscientização começa com as crianças. Inclusive, o professor elaborou uma cartilha voltada para esse público sobre a temática. “Fazer um trabalho educativo com as crianças ajuda a levar a informação até os pais”, reitera.

Além da conscientização, Reis defende que é preciso fazer um estudo mais aprofundado para entender a motivação dos incêndios. “Tem que replicar o trabalho de identificação para saber onde o problema começa”, alerta.Para isso, o professor sugere a utilização de imagens de satélite e análise de como aqueles habitantes se relacionam com o ambiente. “É importante utilizar imagens de satélite, que são gratuitas, além de trabalhar com a análise comportamental daquela população. Se teve uma expansão de uma comunidade, bairro ou estrada. É preciso entender também o comportamento humano para descobrir os pontos de focos de calor e queimadas”, completa. (BN)


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