Feliz por absolvição, Mancini quer fim de abraços no centro do campo antes de Ba-Vi

Mancini conversa com elenco durante o treino (Foto: Maurícia da Matta / Divulgação / EC Vitória)

Depois do silêncio, o técnico Vagner Mancini, enfim, comentou a absolvição no julgamento da denúncia de ter provocado intencionalmente o fim do Ba-Vi do dia 18 deste mês. Após o resultado, na última terça-feira, o treinador deixou rapidamente a sede do Tribunal de Justiça Desportiva da Bahia (TJD-BA) e não falou com a imprensa. Vinte e quatro horas depois, Mancini comemorou não somente a sua absolvição, mas também a de alguns dos jogadores denunciados (Ramon, Bruno Bispo, André Lima), além do supervisor de futebol do Vitória, Mário Silva. Ele preferiu não se posicionar sobre o pedido de suspensão do Baianão, feito nesta terça pelo procurador-geral do TJD, Ruy João. – Sobre o julgamento de ontem…Não vou falar sobre a suspensão, porque não é muito a minha área. Vou deixar para o jurídico se manifestar. Sobre o julgamento, até não quis dar entrevista na saída, porque é lógico que você vive uma tensão ali, é uma coisa chata quando você está sendo julgado, porque esse não é o papel de ninguém aqui, ninguém quer estar ali no banco dos réus. Infelizmente, por uma série de coisas que foram feitas, tive que estar ali. Imagens, tentativas, que eu condeno, mas o livre arbítrio de cada um é inegável.

O pessoal pode fazer o que quiser. Mas a verdade aparece. Vi uma seriedade muito grande dentro do tribunal. […] O resultado foi muito claro. A unanimidade mostra aquilo que todos pensavam. Fiquei feliz que eu e alguns outros foram absolvidos – afirmou o treinador, em entrevista coletiva concedida após a derrota diante do Bragantino, em jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil. Mancini disse que as punições dos jogadores já eram esperadas. Por ter se envolvido na briga do clássico, Kanu pegou dez jogos de suspensão no estadual; pelo mesmo motivo, Denilson, Rhayner e Yago levaram gancho de oito partidas. – As penas dos atletas, a gente já esperava, porque todos se envolveram numa briga, que todo mundo recrimina, inclusive eu. Ninguém quer violência no futebol. Cada um tem sua parte no contexto – avaliou. Mas as consequências do Ba-Vi não ficaram apenas na esfera legal. O treinador revelou que tomou uma decisão após a confusão ocorrida no último clássico, que havia sido denominado previamente de “clássico da paz”. Referindo-se ao ritual que ocorreu antes do último Ba-Vi, em que atletas de Bahia e Vitória se perfilaram abraçados no centro do campo, Mancini usou tom duro para dizer que vai cobrar uma postura diferente dos seus jogadores nas próximas partidas. – O importante é que agora não quero saber de meus atletas abraçados com ninguém antes do jogo. Quero que tenham postura de atleta dentro do jogo, que jogue futebol, porque temos que dar uma resposta a todos que estavam no estádio, quem acompanhou, para o Brasil, contra o que foi visto, e vou cobrar dos atletas. Espero que ninguém me chame para abraçar ninguém. Porque abraçar e depois sair na porrada ninguém quer. Quero futebol e vou cobrar isso. Já dei o recado e já passei para eles [os atletas]. Se alguém da Federação ou árbitro ou governo, ou alguém da Nasa, vier pedir para que meus atletas se perfilem no centro do campo, eu não vou permitir. Os atletas vão cantar o hino e entrar para jogar futebol. Ninguém está ali para fazer imagem para ninguém. Estamos ali para jogar futebol, e devemos isso ao público, à imprensa e a todos que gostam e querem jogar futebol – finalizou. O primeiro Ba-Vi do ano terminou com triunfo por 3 a 0 do Bahia, decretado pela Federação Bahiana de Futebol. O próximo clássico não tem data marcada, mas há chances de ocorrer nas semifinais do Baianão, a depender dos resultados dos jogos das duas últimas rodadas da competição. (GloboEsporte)


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