Produtores protestam contra queda no preço e importação de cacau africano.

Agricultores de Mutuípe, no Vale do Jiquiriçá, estão se organizando para participar de uma manifestação em defesa do cacau brasileiro e contra a importação do produto. O ato está marcado para esta quarta-feira (28), no município de Ilhéus, no sul da Bahia.
Nesta segunda-feira, o vereador Tarcísio Silva conversou com a redação do Mídia Bahia e falou sobre a mobilização. “Precisamos reagir. É inaceitável o que está acontecendo com a comercialização do cacau. Estamos enfrentando altos custos de produção e retorno praticamente zero. Se essa situação continuar, o desemprego vai aumentar, pois muitos trabalhadores serão dispensados. Vamos a Ilhéus nesta quarta-feira em busca de soluções e, se for necessário, faremos novas mobilizações. Os que comandam o nosso país precisam deixar de ouvir apenas a indústria e as multinacionais e passar a priorizar o povo, o trabalhador que efetivamente produz as amêndoas de cacau. Não estamos reivindicando um preço irreal, mas sim um preço justo”, finalizou Tarcísio.
O que aconteceu
O preço da arroba do cacau, que chegou a ultrapassar R$ 1.000 em períodos anteriores, atualmente está cotado em torno de R$ 200, podendo, em alguns casos, ficar abaixo desse valor.
A desvalorização das amêndoas, acontece por dois motivos: deságios considerados negativamente excessivos nos preços pagos pelas indústrias moageiras, e aumento das importações de cacau africano, que, segundo o setor produtivo, têm pressionado o mercado interno.
Segundo os produtores, os custos de produção já não estão sendo compensados pelos preços praticados no mercado, o que tem gerado prejuízos e insegurança para quem vive da cultura cacaueira.
No domingo (25), houve manifestação no Km 406, da BR-101, na altura de Ibirapitanga, quando a rodovia foi fechada, com queima de pneus e galhos de árvores. O ato de amanhã deve acontecer nas proximidades do Porto de Ilhéus.
PL nº 330/2022
Além da queda nos preços, os agricultores também pressionam no ano passado pela aprovação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 330/2022, que suspende mudanças nas regras para a importação de cacau africano, em novembro de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça deu aval ao PDL.
A proposta susta uma decisão da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que revogou a exigência fitossanitária para a importação de amêndoas de cacau provenientes da Costa do Marfim.